Série BBC um ano no tibete 5 Episódios

A China tem longa tradição de controle estatal sobre mosteiros no Tibete.A repressão chinesa contra as manifestações promovidas por monges em Lhasa é parte e uma longa tradição de controle estatal dos mosteiros budistas no Tibete, como mostra a série "Um ano no Tibete", produzida pelo canal britânico BBC 4. Como estão entre as poucas instituições chinesas com potencial para organizar a oposição ao governo, os mosteiros budistas são motivo de preocupação para o Partido Comunista Chinês. O controle estatal dos mosteiros começou logo que o Exército de Libertação Popular da China marchou em direção ao Tibete em 1950. Os protestos recentes marcam os 49 anos da revolta tibetana de 1959, quando manifestações anti-chineses e anti-comunistas foram reprimidas nas ruas de Lhasa.

Os três maiores mosteiros de Lhasa - Sera, Drepung e Ganden - foram seriamente danificados por disparos. O Dalai Lama foi forçado a se exilar e o governo tibetano no exílio estima que 86 mil tibetanos morreram. Menos de uma década depois, a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung levou à destruição de mais de 6 mil mosteiros e conventos. Poucos sobreviveram ao período. Além dos prédios, foram destruídos centenas de milhares de estátuas, tapeçarias e manuscritos. "Naquela época todos os mosteiros foram destruídos. O país inteiro estava mudando durante a revolução. Não era possível parar a onda de mudança", diz Dondrup, um monge de 77 anos do Mosteiro Pel Kor, em Gyantse.

Panchen Lama Outro sinal do controle chinês sobre o budismo tibetano ocorreu em 1995, com a nomeação da nova encarnação de Panchen Lama, segunda figura mais importante na hierarquia espiritual do Tibete depois do Dalai Lama. O Dalai Lama selecionou Gedhun Choekyi Nyima, um menino de seis anos, mas depois de alguns dias o menino e seus pais desapareceram, aparentemente abduzidos. Logo depois, o governo chinês anunciou que o escolhido era Gyaltsen Norbu, filho de dois funcionários do Partido Comunista Tibetano, que foi levado para Pequim, onde vive atualmente e raramente aparece em público. A maioria dos monges o considera um lama "falso", mas ele é venerado pelos tibetanos comuns. A equipe da BBC filmou sua visita ao mosteiro Pel Kor em Gyantse em setembro de 2006. Ficou claro que as autoridades estavam preocupadas com as manifestações, já que havia centenas de policiais e soldados nas ruas e os monges tinham que passar pela revista policial antes de entrar no monastério.

Vida controlada Desde os anos 80 o governo chinês começou a reconstruir alguns dos mosteiros, que também receberam maior liberdade de religião, embora continue limitada. Mas quase todos os aspectos da vida dos monges budistas é controlado pelo governo. Todos os mosteiros e conventos no Tibete são visitados a cada poucas semanas por um representante do Partido Comunista, que verifica se as regras do governo estão sendo aplicadas corretamente.

O governo também controla cuidadosamente o processo para a formação dos monges. Todos os noviços têm que passar por um detalhado processo de checagem que pode demorar vários anos e inclui a verificação do histórico subversivo de suas famílias. O governo também restringe o número de monges. Na verdade, os mosteiros não podem mais desempenhar vários de seus rituais corretamente porque existe uma falta de monges. O mosteiro de Pel Kor já teve 1.500 monges, de acordo com o Tsultrim, o segundo na hierarquia do local. Hoje o governo chinês restringe o número a no máximo 80.

Os recentes conflitos nas ruas de Lhasa repetem eventos de 20 anos atrás, a última vez que ocorreram manifestações de grandes proporções. Hoje, há uma diferença importante: a tecnologia. Praticamente todos os monges tibetanos têm um telefone celular. Têm inclusive um bolso costurado dentro do traje para guardá-lo. Se no passado era muito difícil a comunicação através do grande território tibetano, hoje a comunicação está a apenas uma mensagem de texto de distância.

Episódios:

A Visita :

O Panchen Lama, o budista da mais alta hierarquia que vive no Tibete hoje, visita o mosteiro sem avisar e tumultua a vida dos monges no local. Para Tsephun, um monge iniciante, a visita do Panchen Lama faz com que o dia seja o mais alegre da sua vida. Na cidade Jianzang, um dono de um hotel local está preocupado com a redução no número de hóspedes e a visita de Panchen traz para ele a sorte inesperada no fim da estação.

Três maridos e um casamento:

Todos se reúnem para a colheita. Um fazendeiro está preocupado com as pedras de granizo que destroem sua plantação, um construtor local tem dificuldade para conseguir um número suficiente de trabalhadores durante a colheita e monges vão para casa ajudar nas plantações. Enquanto isso, uma família local prepara o casamento da sua filha, mas ninguém lhe diz que ela é que irá se casar, nem mencionam o fato de que ela irá casar com o irmão do seu esposo.

Fé, Esperança e Amor:

Um puxador de riquixá (tipo de carroça) local tenta ganhar dinheiro com o inverno que se aproxima. Seu sobrinho de cinco anos é levado ao hospital, mergulhando a família em dívidas. Em outro lugar, um dono de um hotel se envolve em um processo jurídico com um resultado incrível e uma mulher está preocupada, pois tem a sensação de que as dores no seu estômago são o resultado de algo ruim que está por vir. No entanto, com a chegada do ano novo, todos esquecem suas preocupações para celebrar 15 dias de festa no seu feriado de ano novo.

Monges Mal Comportados:

O diretor do mosteiro descobre que algumas das estátuas especiais foram roubadas e suspeita que alguém de dentro da organização seja responsável pelo crime. Isto serve de pretexto ao partido comunista local para fazer uma aliança com o governo, a fim de retirar os monges que eles acharem que se comportam mal. Um puxador de riquixá vai ao norte em busca de trabalho lucrativo e uma trabalhadora que dedicou sua vida ao Partido Comunista tem uma surpresa desagradável ao se aproximar da sua aposentadoria.

O Conto dos Três Monges:

Esse episódio mostra o paralelo entre a vida de três monges e as mudanças no Tibete. O número dois na hierarquia do mosteiro enfrenta dificuldades para gerir o mosteiro em face da necessidade de aquiescer às restrições do governo. O monge mais novo do mosteiro trabalha com o seu mestre de 77 anos e com ele desenvolve uma proximidade conflituosa. Um dia o mestre pede que o garoto seja expulso. E este é o derradeiro golpe para ele.

 
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